quinta-feira, 25 de abril de 2013


ENCONTRO DE CATEQUESE (VI)
COMO PREPARAR O ENCONTRO: PASSOS METODOLÓGICOS E SUGESTÕES DIVERSAS.

Tendo esclarecido os modelos de encontro catequético com metodologia ineficaz, abordado as dimensões para o encontro iniciático e o catequista indicado para aplicá-lo, o apontamento de alguns passos para preparação do encontro, como também para o desenvolvimento são úteis para ajudar o catequista.

É preciso destacar primeiramente, que o encontro de catequese faz parte e está inserido em um todo, portanto, antes de prepará-lo, é preciso elaborar um programa sistemático para cada etapa/fase de catequese, que tenha conteúdos próprios para se desenvolver, levando em consideração o objetivo de cada uma das partes do processo e segui-lo, para que não haja um estímulo para o catequista trabalhar o que quiser ou aquilo que tem mais facilidade, deixando o processo faccionado por desorganização.

Tendo o programa em mãos, o passo seguinte é pensar em um plano de encontro. O catequista precisa ter claro o tema do encontro, selecionar o texto bíblico para em seguida elaborar o objetivo, o ponto de partida e ponto de chegada do encontro, planejando bem para evitar improvisação. Após a escolha do tema e do texto bíblico que inspirará todo o encontro, o próximo passo é fazer a leitura orante desse texto para que fale ao coração do catequista em primeiro lugar, alimentando-o para que anuncie a Palavra experimentada e o inspire nos próximos passos.

Delimitando o objetivo do encontro, é importante estudar o texto bíblico e elaborar questões para serem respondidas no diálogo de aprofundamento do texto, como também estudar o conteúdo doutrinal que poderá ser aplicado no encontro. Tendo feito isso, o catequista estrutura a metodologia que será utilizada, selecionando as músicas, orações, símbolos, a disposição do ambiente, já pensando no gesto concreto e na celebração.

O encontro deverá ser pensado também a partir de uma sequencia metodológica eficaz: ver a realidade, iluminar com a Palavra, celebrar para que a vida e a fé se inter-relacionem para agir, assumindo compromissos existenciais.

VER A REALIDADE: 1.ACOLHIDA; 2. RETOMADA DO ENCONTRO ANTERIOR; 3. FALAR DO TEMA E DO OBJETIVO; 4.RECORDAÇÃO DA VIDA/ OLHAR A REALIDADE

Sempre é bom prever o começo de tudo: iniciar o encontro com uma boa acolhida, de preferência na porta da sala ou ainda fora dela, realizando um momento ritual de acordo com o tema (traçar o sinal da cruz com água benta, entrar com a vela acesa, celebrar o acendimento do Círio pascal, lavar as mãos), já falando sobre o objetivo do encontro, o que será aprofundado, para dar sentido ao ingresso no ambiente de encontro de maneira orante. Oriente os catequizandos, ao entrarem na sala, para que observem o espaço previamente elaborado pelo catequista. É importante acalmar a mente e o coração para vivenciar o encontro com a pessoa de Jesus, para isso não basta dizer “silêncio”, uma sugestão seria cantar refrãos meditativos com a temática do encontro para interiorização.

O momento do ver a realidade, próximo passo depois da acolhida, deve ser elaborado sempre a partir do tema do encontro, sendo passo importante ouvir os catequizandos para perceber o que trazem de informação sobre aquele assunto: pode ser chamado de recordação da vida, um olhar para realidade aprofundando os fatos, causas, consequências do sistema social, econômico, político e cultural que nos envolve. O olhar a vida é o momento de ver o chão onde se vive e de preparar o terreno da realidade para depois jogar a semente da Palavra de Deus. O ver pode ser desenvolvimento de maneira bem pedagógica, por meio de histórias e fatos contados, notícias, figuras, palavras destacadas e até recortes de jornais.

ILUMINAR: 1.ACLAMAÇÃO/ REFRÃO PARA LEITURA DO TEXTO; 2. PROCLAMAÇÃO DO TEXTO BÍBLICO (1 VEZ O INTERLOCUTOR, 1 VEZ O CATEQUISTA); 3. DIÁLOGO COM O TEXTO BÍBLICO (REFLEXÃO); 4. MOMENTO DOUTRINAL (APROFUNDAMENTO)

O momento da leitura da Palavra, o iluminar, é de fundamental importância. Por isso, é muito significativo que se tenha a preocupação de criar um ambiente favorável ao clima de oração. Para isso, conforme Brustolin (2009, p. 12-24) é importante que se proceda de uma forma “ritual”, isto é, procurando conferir solenidade ao que se vai fazer. Solenizando a leitura da Palavra no encontro da catequese, o catequizando vai compreendendo e familiarizando-se com o espírito celebrativo da Igreja, a importância e o significado dos ritos, dos gestos, da postura, dos cantos, dos símbolos, das cores, enfim, tudo o que faz parte da liturgia cristã.

Para proclamação do texto bíblico, que será feito da Mesa da Palavra na sala de catequese, canta-se inicialmente a aclamação, se for Evangelho, ou refrão medidativo para demais textos bíblicos, e todos colocam-se em pé, como gesto de disposição à escuta atenta da Palavra de Deus. Caso não tenha sido acesa, pode-se neste momento fazer o acendimento da vela de modo solene ou ainda acolher a Bíblia, num gesto de gratidão pela Palavra que será proclamada. O Catequista lê a Palavra, já destacando algumas expressões importantes na leitura e após a proclamação, apresenta a Bíblia ou faz um gesto de reverência diante da Palavra proclamada. Pode-se convidar um catequizando para ler a Palavra mais uma vez (previamente escolhido), preparando para o aprofundamento do texto bíblico e do conteúdo doutrinal.

 A Palavra, neste momento, é iluminadora e mostra qual a vontade de Deus em relação ao que foi apontado no ver. Faz-se um confronto com as exigências da fé anunciada por Jesus Cristo, diante da realidade refletida. Neste momento do encontro, aprofunda-se com o grupo os apelos que Deus faz para seus seguidores. Reconstrói-se o texto com a participação de todos, lembrando os cenários, as personagens, as relações entre personagens, o que foi narrado por meio de perguntas feitas pelo catequista; cada um pode ainda dizer a parte do texto, palavra, frase ou gesto que mais lhe chamou atenção.

O catequista, utilizando-se de uma Mesa para partilha (mesa grande com cadeiras em volta) ou ainda com os catequizandos sentados em formato circular, explica o contexto da passagem e trabalha alguns versículos selecionados para explicar o significado do texto (pode-se trabalhar o bibliodrama neste momento: o que você sentiria se fosse determinado personagem? O que você teria feito no lugar dele? Como você agiria nessa situação? Quais os sentimentos mais fortes nesse momento? Você acha que fizeram certo?).

O Resgate do antigo simbolismo de sentar ao redor da mesa para tomar a refeição é destacado com a utilização da Mesa da Partilha. Neste caso, crianças, jovens e seus catequistas, sentam ao redor da mesa para saborear a Palavra que dá vida, sacia toda sede e devolve a alegria ao coração humano. Usando a mesa pretende-se sair do esquema de escola, da utilização de cadernos e canetas, e de tudo que lembre uma lição escolar. Ao redor da mesa se fala, se contemplam os símbolos, se dialoga e se realizam algumas atividades.

Dado o passo do aprofundamento bíblico, segue-se o desenvolvimento de algum elemento doutrinal, de acordo com o tema, elaborando-se estratégias e buscando material para esse momento, tais como documentos do magistério, textos de estudo e até sugestões de reflexão do texto bíblico ou do tema desenvolvido, muitas vezes presentes nos manuais de catequistas.

CELEBRAR: 1. MOMENTO DA ORAÇÃO; 2. MOMENTO DA BENÇÃO; 3. MOMENTO DA PAZ

Esse passo já prepara para o celebrar, momento orante fecundo do saborear em conjunto o que foi visto e iluminado: é hora de favorecer o encontro pessoal , ajudando os catequizandos a conversar naturalmente com Deus como um amigo íntimo. Pode-se rezar usando símbolos, favorecendo o silêncio, por meio de cantos, gestos, salmos, frases bíblicas repetidas, relacionando sempre ao tema do encontro com a vida. A partir da celebração do encontro é possível motivar os catequizandos na participação das celebrações, liturgias, novenas, grupos de reflexão na comunidade.

No momento do celebrar, é interessante estimular orações espontâneas e trabalhar todas as modalidades orantes, não reduzindo somente a fórmulas prontas (Pai-Nosso, Ave Maria, Salve Rainha). Há de se estimular os catequizandos à oração para que saiba rezar nas diversas circunstâncias da vida. Outro ponto muito importante para se resgatar, já concluindo o momento da celebração, seriam as bênçãos, que podem ser realizadas de várias formas (catequista põe a mão na cabeça do catequizando em silêncio, os catequizandos abençoam um ao outro, com a Bíblia em uma das mãos, traça-se o sinal da cruz sobre a fronte do catequizandos, abençoa ungindo com óleo ou também podem ser utilizadas fórmulas de benção) e um momento de abraço da paz, ou também oração pela paz e pelas famílias.

AGIR: 1. GESTO CONCRETO; 2. RECORDAR O ENCONTRO; 3. DESPEDIDA

Todo encontro precisa conscientizar que ser cristão não é ficar passivo diante da realidade. O momento do agir é transformador e comprometedor: trata-se de encontrar passos concretos de mudança das situações onde a dignidade é ferida a partir de critérios cristãos vivenciados no encontro. O gesto concreto está ligado ao compromisso existencial diante da Palavra de Deus, que questiona e exige a mudança nas pessoas, famílias e comunidade. O catequista necessita provocar o seu grupo para ações práticas e os compromissos podem ser discutidos e assumidos de forma individual ou ainda grupal. É o momento de guardar para vida a partir do assunto tratado no encontro.

O encontro de catequese, como caminho de formação na caridade e no serviço, deve abrir-se ao horizonte da promoção integral do ser humano e da transformação da sociedade nos diversos níveis: o agir na justiça e na verdade, a consciência política, a quebra de preconceitos (idoso, mulher, raças, portadores de deficiências), a opção preferencial pelos pobres e marginalizados, a luta pela libertação dos vícios do século XXI (drogas, bebidas, egoísmo, mentira). São práticas que devem estar presentes no compromisso catequético.

Por fim, o catequista deve colocar tudo que planejou por escrito em um papel para que não se perca durante a aplicação do encontro (quanto mais organizado, mais segurança) e também preparar uma página para os catequizandos com a citação do texto bíblico, as músicas que serão cantadas no encontro, algum resumo marcante daquele tema e ainda o gesto concreto da semana, que como já visto, não é tarefa escolar.

ORGANIZAR É PRECISO

Parece simples preparar um encontro, mas como observado, exige do catequista consciência de seu papel evangelizador, dedicação, experiência de fé e profunda reflexão para tornar cada encontro um espaço de crescimento e experiência de fé. O catequista deverá se programar para preparar bem seu encontro, pensando nos objetivos e finalidades da catequese, como também deverá chegar com antecedência ao local onde exerce seu ministério catequético para preparar o ambiente do encontro e com respeito e igual atenção, receber todos os catequizandos, sem demonstrar preferências.

É importante o cuidado com o ambiente encontro porque ele também é símbolo e deve contribuir na catequese. Para o encontro iniciático é preciso que se providencie uma Mesa da Palavra, com a Bíblia em destaque, toalha de acordo com o tempo litúrgico, velas, flores naturais e outros símbolos, de acordo com a proposta do dia e a Mesa da partilha. Que o local seja arejado, com cores vibrantes, sem cartazes pendurados nas paredes (o que é mais típico de ambiente escolar) e sem quadro negro. Evitar a poluição visual é essencial para que se destaque o foco do encontro de catequese: Jesus Cristo, a Palavra de Deus e a pessoa humana.

** Roberto Bocalete - especialista em Pedagogia Catequética  pela PUC - GOIAS

terça-feira, 23 de abril de 2013

ORDENAÇÃO DIACONAL - 04 DE AGOSTO DE 2013



Amigos e amigas, catequistas: partilho com todos uma grande alegria! Hoje, dia 23 de abril, meus amigos de turma Rafael Rodrigo e Alexandre P. Silva e eu, Roberto Bocalete, fomos comunicados oficialmente sobre nossa ordenação diaconal: será no dia 04 de agosto de 2013, às 10h, na Catedral de São José do Rio Preto, presidida por nosso bispo diocesano Dom Tomé Ferreira da Silva!

Fomos aprovados e agora vamos começar os preparativos! Obrigado pelas orações, pelas demonstrações de carinho e pela amizade! Obrigado, amado Jesus, por confiar em mim, dando-me essa linda missão!

" Seduziste-me, Senhor, e eu me deixei seduzir" (Jr 20,7)

Todos estão convidados, desde já, a celebrar conosco esse momento muito especial em nossas vidas! Abraços

sexta-feira, 19 de abril de 2013

ENCONTRO DE CATEQUESE INICIÁTICO (V)
III. DIMENSÃO MISTAGÓGICO-CELEBRATIVA

A dimensão mistagógico-celebrativa, essencial no encontro de catequese, deve conduzir o interlocutor para experiência vivencial do que está sendo aprofundado no encontro, desbloqueando os mistérios, favorecendo momentos de oração e encontro com Jesus. Esta dimensão do encontro de catequese, alimento da espiritualidade e da mística cristã, deve ser articulada com objetivo de favorecer a experiência celebrada com a pessoa de Jesus, utilizando-se para isso elementos simbólicos, ritual, gestual, apoiando-se nos diversos elementos da liturgia cristã.

Mistagogia pode ser traduzido por “conduzir para dentro do mistério. O que se entende por isso? Para ser cristão ou cristã, não basta ter um conhecimento intelectual de Cristo e de sua proposta. Não basta assumir como regra de vida algumas propostas de conduta moral  do cristianismo. Vida cristã é, antes de tudo, adesão a pessoa de Jesus, seguimento no caminho dele, identificação com ele em sua morte e ressurreição, em sua entrega total a serviço do Reino, “até que Deus seja tudo em todos”(1Cor 15,28). Essa identificação com Cristo, essa participação mística, espiritual, vital e existencial, que envolvem todas as dimensões e todos os momentos de nossa vida humana, não se faz de um dia para outro. Ela requer um longo processo. No centro desse processo de vida cristã, encontramos a liturgia como cume e fonte (BUYST, 2008, p. 12-3).

O encontro de catequese fica empobrecido sem elementos mistagógicos, sem a ação litúrgico-celebrativa. A catequese como educação da fé e a liturgia como celebração da fé são duas funções da única missão evangelizadora da Igreja. A catequese, sem a liturgia, esvazia-se da dimensão do mistério e reduz-se a um amontoado de ensinamentos e teorias sobre Deus e a Igreja, mas sem significado profundo para vida. A liturgia, por outro lado, sem a catequese, é carente do sentido e conteúdo da fé, que se consolida no aprofundamento da mensagem cristã, missão assumida pela catequese (PAIVA, 2008, p.7).

A liturgia é fonte inesgotável da catequese, não só pela riqueza de seu conteúdo, mas pela sua natureza de síntese e cume da vida cristã: enquanto celebração ela é ao mesmo tempo anúncio e vivência dos mistérios salvíficos; contém, em forma expressiva e unitária, a globalidade da mensagem cristã. Por isso ela é considerada lugar privilegiado de educação da fé e os autênticos itinerários catequéticos são aqueles que incluem em seu processo o momento celebrativo como componente essencial da experiência religiosa cristã (CNBB, 2006, p.83-5).

A ação litúrgica faz memória, isto é, torna presente, traz para o momento atual os acontecimentos da salvação proclamados na Palavra. A liturgia é a celebração dos mistérios de Deus. Os “mistérios” são os projetos de Deus que se realizam na pessoa de Jesus Cristo: a redenção e a salvação de todos os homens, a instauração do Reino. O mistério central da vida de Cristo é o mistério pascal (CNBB, 2008a, p.3-18).

A liturgia, com seu conjunto de sinais, palavras, ritos, símbolos, em seus diversos significados, requer da catequese uma iniciação gradativa e perseverante para ser compreendida e vivenciada. Os sinais litúrgicos são ao mesmo tempo anúncio, lembrança, promessa, pedido e realização, mas só por meio da palavra evangelizadora e catequética esses seus significados tornam-se claros. É tarefa fundamental da catequese iniciar eficazmente os catequizandos nos sinais litúrgicos e através deles introduzi-los no mistério pascal (CNBB, 2006, p. 84).

Aquilo que não é celebrado não pode ser apreendido em sua profundidade e em seu significado para a vida. O encontro de catequese deve levar em conta essa expressão de fé para desenvolver também uma verdadeira educação para celebrar. Há, portanto, uma sintonia entre a fé, a celebração e a vida. O mistério de Cristo anunciado na Palavra é assimilado e saboreado, através da ritualidade, do simbolismo, do ritmo que a liturgia imprime, pelo seu caráter mistagógico (DICIONÁRIO DE CATEQUÉTICA, 2004, p.690-3).

Há de se cuidar para que se enfatize a dimensão celebrativa no encontro, que tem mais a ver com sabor, com a experiência de sentir o toque de Deus na realidade humana, por isso, quanto menos explicações, mais o canal de comunicação por meio da linguagem simbólica, ritual, sonora, gestual será eficaz. É a experiência do mergulho da inteireza do ser no mistério celebrado.

Para tanto, é importante que a catequese tenha na celebração o ponto alto do encontro, momento em que haja interiorização, partilha e crescimento da fé a partir da vida. A catequese, assumindo a dimensão mistagógico-celebrativa é carregada de momentos fortes de oração (súplica, gratidão, intercessão e perdão), bênçãos, expressões gestuais, fazendo o confronto pessoal e comunitário com a realidade, da fé com a vida e da vida com a fé.  A catequese com celebrações vivenciais favorece uma compreensão e uma experiência sempre rica da liturgia, conduz para uma leitura dos gestos e sinais, e educa a participação ativa nas celebrações dos sacramentos, para a contemplação e para o silêncio (PAIVA, 2008, p. 51-72).

Na dimensão simbólica, a grande tarefa que se impõe é proporcionar uma catequese experiencial dos sinais e símbolos, todos com enraizamento bíblico e antropológico. Os símbolos, fecundados por significações espirituais, são instrumentos privilegiados da comunicação divina no encontro de catequese. Sendo elementos da vida humana, colhidos na realidade natural, são pontes de relação entre o humano e o divino. “Os símbolos expressam de forma especial o mistério, quem nem as explicações racionais nem mesmo as expressões poéticas podem exprimir em plenitude” (BOGAZ, 2001, p. 7-8).

O simbolismo pode ser escolhido e celebrado no encontro de catequese em quatro passos: escolhido a partir do texto bíblico, necessita ser concreto e real (não artificial) e enraizado na cultura; com a ajuda do texto bíblico, destacar a realidade salvífica que tal símbolo produz; revelar o significado e o efeito do símbolo na celebração litúrgica; apresentar o estilo cristão ou testemunho de vida que tal símbolo inspira, levando ao compromisso (LELO, 2009, p.18-9).

Os gestos levam-nos para um mundo diferente, formam um conjunto de significados com uma linguagem profunda e peculiar, além de evangelizadora e educativa. Um elemento sozinho diz muito pouco, mas se associado à Palavra (dimensão bíblico-teológica) e a experiência do grupo produz uma rede de sentidos que põe os interlocutores em contato com o projeto do reino de Deus e a presença do Espírito. No encontro de catequese gestos como abençoar, tocar, sorrir, olhar, abraçar, acender o Círio ou a vela, ouvir atentamente, estender as mãos, traçar o sinal da cruz, sentar-se, ficar de pé, reunir-se ao redor da Mesa da Palavra, beijar ou reverenciar a Bíblia, ser aspergido com água e ungido com óleo, comunica, por meio de uma linguagem intuitiva e afetiva, poética e gratuita a presença divina, introduzem na comunhão com o mistério e fazem com que o interlocutor mais do que entenda, experimente (LELO, 2009, p.16-8).

No tocante a musicalidade, é preciso que a canção ou refrão meditativo escolhido para o encontro, favoreça o diálogo e a comunhão com Deus, uma participação no mistério revelado em Jesus. Portanto, a musicalidade, em consonância com os demais elementos do encontro, expressa o convite a celebrar os mistérios de Cristo e dele participar de forma poética e envolvente; é um convite a ser tocado, por meio de um caminho rico, pela presença divina que impulsiona a dar sentido de fé ao momento celebrado (BUYST, 2008, p. 7-15).

** Roberto Bocalete

quinta-feira, 18 de abril de 2013

O ENCONTRO DE CATEQUESE INICIÁTICO (IV)
II. DIMENSÃO BÍBLICO-TEOLÓGICA

A fonte na qual a catequese busca a sua mensagem é a Sagrada Escritura, fruto da experiência de fé de um povo com Deus: nela, a Igreja reconhece o testemunho autêntico da Revelação divina, por isso, é o livro de catequese por excelência (CNBB, 2006, p. 75-6). A dimensão bíblico-teológica no encontro de catequese, portanto, destaca a Sagrada Escritura como livro que ilumina o encontro, fonte favorecedora da experiência humana com Deus, juntamente com o depósito da fé transmitido pelos apóstolos (Tradição) e que conservamos com zelo, dando respostas novas e mais elaboradas depois do surgimento dos desafios.

A catequese deve fazer dessa fonte o seu referencial maior e central, num diálogo permanente com a vida e a história. Não se trata, porém, de tirar da Sagrada Escritura (e também da Tradição) elementos fragmentários a serem inseridos na Catequese, mas de respeitar a natureza e o espírito da Revelação Bíblica. Falar da Escritura como fonte da catequese é acentuar que esta tem que ser impregnada pelo pensamento, pelo espírito e pelas atitudes bíblicas e evangélicas, mediante um contato frequente com os próprios textos sagrados; e é também recordar que “a catequese será tanto mais rica e eficaz quanto mais ela ler os textos com inteligência e o coração da Igreja, e quanto mais ela se inspirar na reflexão e na vida duas vezes milenária da mesma Igreja” (JOÃO PAULO II, 1983, p.34).

O encontro com os Discípulos de Emaús destaca a explicação das Escrituras como fundante para a compreensão da fé: daí renasce a esperança e o desejo de testemunhar o encontro com o ressuscitado (CNBB, 2010b, p.101). Depois de conhecer a realidade, o passo seguinte é despertar perguntas e abrir novos horizontes à luz da Palavra. A Escritura no encontro de catequese deve ser instrumento que provoque a mudança de mentalidade e atitude dos interlocutores: trata-se de um encontro vital com o Senhor, para aprender com ele, ouvir, compreender e aderir aos ensinamentos (CNBB, 2009, p.30-2).

É indispensável a Sagrada Escritura,  sinal sacramental da Palavra de Deus, para um encontro vivo com Jesus Cristo, caminho de autêntica conversão e renovada comunhão de solidariedade. O encontro com o Senhor, com sua história íntima, inicia o processo de discipulado e tal encontro só é possível quando os interlocutores, mediados pelo trabalho evangelizador, escutam, celebram e encarnam a Palavra de Deus, amadurecendo a experiência religiosa.

A Bíblia deve alimentar a identidade cristã e enriquecer a prática de oração. É importante que sua utilização no encontro de catequese esteja a serviço da educação para uma fé engajada e responsável, fecunda e enriquecedora. Portanto, todo roteiro catequético deverá ser iluminado pela Bíblia e ainda incluir estímulos e orientações com vista a uma leitura bíblica, segundo um plano adequado ao leitor (CNBB, 2006, p.77).

A Sagrada Escritura, da qual emerge elementos teológicos e também doutrinais, proporciona ao encontro o seu conteúdo: o sentido para vida, por meio da configuração a Jesus e o desígnio de salvação, que pode ser atualizado no presente, por meio de uma hermenêutica amadurecida dos teólogos e do próprio Magistério, projetando o catequizando no futuro, segundo as promessas de Deus.

A Bíblia introduz a catequese no curso da economia da salvação e faz com que aquele que aprofunda a fé, sinta-se povo de Deus, tome gosto pela leitura orante da Bíblia, pelos círculos bíblicos, pelos encontros das pequenas comunidades, elaborando na realidade a transformação que a Palavra causa. Definitivamente, a catequese não pode não ser bíblica, porque lhe faltaria o essencial da experiência de fé do povo com o Deus que preenche o humano no mais íntimo de seu ser, dando-lhe sentido para esta existência (DICIONÁRIO DE CATEQUÉTICA, 2004, p.524-5).

Uma das finalidades da catequese é introduzir uma justa compreensão da Bíblia e sua leitura frutuosa e fecunda, que permita descobrir as verdades divinas que nela contém e que suscite respostas a mensagem amorosa de Deus dirigida a humanidade: para que a dimensão bíblico-teológica seja saudável, vale alertar para não cair no erro de leituras da Sagrada Escritura de forma fundamentalista, literalista, esotérica, intimista, apologética, reducionista, materialista ou espiritualista.

Na catequese, o aprendizado do uso da Sagrada Escritura deve ser acentuado como encontro com a Palavra de Deus encarnada, educando-se para um encontro vital com a Palavra, tendo-a como alimento saboroso em vista da maturidade em Cristo. Vale ainda uma dica: o texto bíblico escolhido para iluminar o tema do encontro deve ser a fonte para o diálogo entre catequista e catequizandos, para escolha dos símbolos e das músicas, também das orações para o momento celebrativo e do aprofundamento do conteúdo. 

A iniciação à leitura da Bíblia, na catequese, deve levar não só ao contato com a Palavra de Deus na leitura pessoal ou grupal da Escritura, mas principalmente à compreensão da Palavra proclamada e meditada na Liturgia, que também é fonte perene da catequese por ser memorial do mistério pascal, experiência celebrativa, comunicação, vivência do mistério, lembrança e realização, síntese de fé e interiorização da experiência religiosa. A catequese educa a fé que é celebrada na liturgia: uma alimenta a outra, são as duas faces do mesmo mistério.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

O ENCONTRO DE CATEQUESE INICIÁTICO (III)
1. DIMENSÃO ANTROPOLÓGICO-EXISTENCIAL

Inúmeros são os desafios hoje para iniciação à vida cristã: é preciso encontrar um caminho para a formação do discípulo e esse caminho é perpassado pelo encontro de catequese vivencial, elaborado a partir de três dimensões entrelaçadas em si: dimensão antropológico-existencial, bíblico-teológica e mistagógico-celebrativa.

A dimensão antropológica-existencial, ponto de partida para a elaboração do encontro, baseia-se em conhecer o catequizando interlocutor: é pessoa humana com seus desafios, vivendo numa realidade, num contexto determinante, com uma história de vida, que precisa descobrir-se na ótica da fé; tudo a ser considerado pelo catequista ao projetar o encontro.

O Ano Catequético Nacional (2009) evidenciou essa dimensão a partir do texto dos Discípulos de Emaús (Lc 24,13-35), destacando a preocupação de Jesus ao ouvir a realidade dos caminhantes. “Ele observa, escuta atentamente, interroga sobre o sofrimento deles, sobre o que de tão grave aconteceu para deixá-los assim tão abatidos...” (NERY, 2010, p. 14). Há um estímulo, da parte de Jesus, para que os seus interlocutores abrissem o coração; somente depois de ouvi-los e cuidar da realidade humana, da situação social, política, cultural, religiosa e ideológica dos discípulos, é que o Ressuscitado se posiciona, utilizando-se da Sagrada Escritura para iluminar a realidade.

A dimensão antropológica, seguindo a pedagogia de Jesus presente nos evangelhos, é um impulso para estar atento as pessoas concretas que buscam o processo de educação para a fé, com seus sofrimentos e dores, nas diversas idades (criança, adolescente, jovem, adulto e idoso), segundo a cultura (indígena, afro-descendente) e a situação particular ( rural, urbana, encarcerado, portador de necessidades especiais, marginalizado, universitários), inculturando de forma delicada a mensagem a ser anunciada (cf. DGC 160-1,171-215; DNC 117-40).

Jesus toma a iniciativa de se aproximar, adentra a história das pessoas, acompanha a caminhada, escuta para entender, não interrompe o assunto antes de compreender o que está causando desânimo, não ignora quem está diante dele. (CNBB, 2008b, p. 14-9). Buscar o diálogo, acolher, interessar-se pelos catequizandos é fundamental para encontros realmente concretos e evangelizadores, que tenham como consequência a conversão e o discipulado.

O encontro de catequese deve ser desenvolvido a partir de atitudes de respeito e diálogo com a realidade, buscando-se uma linguagem adequada à comunicação da fé, como também a possibilidade de elaboração de materiais locais, em sintonia com a sensibilidade e o modo de pensar do povo. (ALBERICH, 2004, p.131-3).

Antes de preparar o encontro de catequese é preciso, então, considerar para qual faixa etária e ou situação vital será desenvolvido o momento e como atingir a inteireza dessa pessoa; também ter a clareza de um caminho integrado a ser percorrido, com visão de processo sem fragmentação. Para uma metodologia acertada, não se deve esquecer a reflexão sobre as influências da mudança de época e o ritmo veloz das informações da pós-modernidade na vida dos interlocutores; também o contato que os interlocutores têm com as mídias e o que isso gera em nível de especulação e curiosidade, urgindo daí o diálogo. 

Outros pontos a se considerar referem-se às influências familiares, sobretudo o fato de não haver uma Igreja Doméstica que já tenha elaborado o querigma, o anúncio fundamental da pessoa de Jesus no lar, necessitando englobar nos primeiros passos tal dimensão; considerar também as influências da comunidade, local indispensável para uma catequese saudável e que na realidade pouco tem testemunhado a fé e acompanhado o crescimento dos catequizandos (MANTOVANI, 2010, p. 66-7).

O encontro de catequese não pode ser pensado fora da realidade. Ou ele transforma as pessoas e a sociedade, ou não é fiel a mensagem e ao projeto de Jesus Cristo. Quando não atinge as raízes do ser humano, não o direciona para uma consciência de si e da realidade, quando não une fé e vida na mesma perspectiva, o encontro se torna um verniz superficial.

**Roberto Bocalete