terça-feira, 13 de agosto de 2013

RESUMO DO DIRETÓRIO NACIONAL DE CATEQUESE

Aproximando-se o Dia Nacional dos Catequistas, pensei em ajudá-los no aprofundamento de nosso ministério da Catequese com uma síntese do DNC (faremos um caminho gradual, estudando parte por parte). Hoje serão postados a introdução e o capítulo 1. O SABER  do catequista é fundamental para uma vocação bem desenvolvida. Boa leitura, boa reflexão, bom estudo! Abraços...

CNBB. Diretório Nacional de Catequese. Publicações da CNBB. Brasília: Edições CNBB, 2006.

INTRODUÇÃO
          O Diretório Nacional de Catequese é um esforço de adaptação à realidade do Brasil do Diretório Geral para a Catequese. É um documento em que a Igreja do Brasil, por meio da Comissão de Animação Bíblico-Catequética, propõe as grandes orientações para a catequese. Não é um manual para se estudar com os catequizandos, mas considerações sobre o trabalho da catequese, por sinal, elaborado com a ajuda dos catequistas de todo o Brasil e catequétas de muitas regiões.          
          O Diretório é importante por ser uma proposta de sintonia para o trabalho da Igreja, um direcionamento que visa progresso na ação catequética. O objetivo geral do Diretório Nacional de Catequese é apresentar a natureza e finalidade da catequese, traçar os critérios de ação catequética, orientar, coordenar e estimular a atividade catequética nas diversas regiões. Ele pretende delinear uma catequese litúrgica, bíblica, vivencial, profundamente ligada à mística evangélico-missionária, mais participativa e comunitária.
        O documento divide-se em duas partes e oito capítulos, que serão preservados neste resumo para melhor compreensão e mais clareza dos objetivos que este documento quer alcançar. Na primeira parte, são tratados os fundamentos teológico-pastorais da catequese, a partir da renovação pós-conciliar. Inicia-se apresentando as conquistas do recente movimento catequético brasileiro (Capítulo 1: Movimento catequético pós-conciliar: conquistas e desafios). A seguir é aprofundado o tema da revelação e catequese; a catequese dentro da missão evangelizadora da Igreja, como atividade de iniciação à fé (Capítulo 2: A catequese na missão evangelizadora da Igreja). Após ter sido esclarecida a verdadeira tarefa da catequese, propõe-se uma leitura da realidade brasileira e da história como lugares teológicos da manifestação de Deus (Capítulo 3: Catequese contextualizada: história e realidade). A mensagem e conteúdo da catequese são considerados no quarto capítulo, destacando-se a Bíblia, a liturgia e os catecismos (Capítulo 4: Catequese: mensagem e conteúdo).
          A segunda parte, de caráter mais prático, primeiramente se analisa a pedagogia catequética tendo como fundamento a pedagogia divina, modelo da educação da fé pretendida pela catequese (Capítulo 5: Catequese como educação da fé), em seguida enumeram-se os interlocutores no processo catequético (Capítulo 6: Destinatários como interlocutores no processo catequético); o próximo capítulo destaca o ministério da catequese e seus responsáveis - catequistas, padres, bispos, catequétas (Capítulo 7: O ministério catequético e seus protagonistas), e, por fim, no último capítulo, discute-se o onde e o como devemos organizar nossa catequese (Capítulo 8: Lugares da catequese e sua organização na Igreja particular).
          Essa proposta da Igreja do Brasil, o Diretório, é mais uma oportunidade para que os envolvidos na dimensão bíblico-catequética amadureçam seu ministério e façam ecoar com mais segurança e diretividade sua ação evangelizadora, por meio de um discipulado mais autêntico e uma missão mais consciente.

PARTE 1: FUNDAMENTOS TEOLÓGICO-PASTORAIS DA CATEQUESE E SEU CONTEXTO
 Capítulo 1 - Movimento Catequético Pós-Conciliar: Conquistas e Desafios

         O Concílio Vaticano II aconteceu de 1962 a 1965 e trouxe grandes mudanças para a Igreja, marcando uma abertura grande para o mundo moderno e para uma participação maior dos leigos na ação pastoral. Depois dos textos do Concílio, vieram muitos outros, desdobrando as idéias que lá estavam e refletindo sobre as exigências da fidelidade ao Evangelho na realidade de cada época e lugar. Sob o influxo da Semana Internacional de Catequese e da Conferência Episcopal Latino-americana, ambas em Medellín (1968), a catequese tomou novos rumos à luz de uma eclesiologia e cristologia mais voltadas para a situação difícil vivida pelo povo. Nascia ali um novo modelo de catequese que, para melhor encarnar a doutrina, acentuava também a dimensão situacional, transformadora ou libertadora.
            As conquistas catequéticas pós-conciliares, estimuladas pelo Diretório Catequético Geral (DCG, 1971), pelo Sínodo sobre Evangelização (1974) e pela Carta Apostólica de Paulo VI Evangelii Nuntiandi (EN, 1975), concretizaram-se no Sínodo sobre a Catequese (1977) e na Exortação Apostólica que se lhe seguiu Catechesi Tradendae (CT, 1979). No Brasil foi de especial importância o texto da CNBB, Catequese Renovada de 1983. Surgido inicialmente como resposta à necessidade de renovar o conteúdo da catequese, sua elaboração saiu em busca dos princípios e diretrizes básicas da ação catequética, sendo fruto de ampla movimentação nacional, com participação de comunidades, catequistas, estudiosos e pastores.
          A catequese, a partir de 1983, em geral assume eixos centrais que vão sendo aprofundados e amadurecidos a partir do Documento Catequese Renovada e os desafios que vão surgindo na caminhada. Dentre as principais características do documento, pode-se destacar: Interação Fé e Vida (a fé ligada ao modo de viver); a Comunidade como lugar da Catequese (Deus se revela no dia-a-dia de pessoas que vivem em comunidade. A catequese é concebida como uma iniciação à fé em sua dimensão pessoal e comunitária); Processo permanente de educação da fé (a formação cristã se prolonga pela vida inteira, não é formatura); Catequese cristocêntrica (conduz ao centro do Evangelho (querigma), à conversão, à opção por Jesus Cristo que nos revela o Pai, no Espírito Santo (dimensão trinitária) e ao seu seguimento); Ministério da Palavra (a catequese é considerada anúncio da Palavra de Deus, a Bíblia é considerada o livro da fé e, por isso mesmo, o texto principal da catequese); Catequese transformadora e libertadora (a mensagem da fé, iluminando a existência humana, forma a consciência crítica diante das estruturas injustas e leva a uma ação transformadora da realidade social); Catequese inculturada (a catequese quer valorizar e assumir os valores da cultura a quem se dirige, a linguagem, os símbolos, a maneira de ser e de viver do povo nas suas diversas expressões culturais); Catequese integrada com as outras pastorais (pastoral de conjunto -  a catequese educa as diferentes dimensões da vida da Igreja: liturgia, missão, serviço social, ministérios) Caminho de espiritualidade (espiritualidade bíblica, litúrgica, cristológica, trinitária, eclesial, mariana e encarnada na realidade do povo); Opção preferencial pelos pobres (uma catequese atenta aos sofrimentos do pobre e marginalizado, educando para sensibilidade).
          O Documento Catequese Renovada comemora mais de 25 anos e alguns desafios significativos devem receber atenção especial na tarefa catequética. O Diretório nacional apresenta esses desafios que serão elencados abaixo:
**criar maior unidade na pastoral catequética, organizando melhor a catequese nos diversos níveis (regional, diocesano, paroquial) e pondo em prática as orientações que já existem;
**formar catequistas como comunicadores de experiências de fé, comprometidos com o Senhor e sua Igreja, com uma linguagem inculturada que seja fiel à mensagem do Evangelho e compreensível, mobilizadora e relevante para as pessoas do mundo de hoje;
**fazer da Bíblia realmente o texto principal da catequese;
**fazer com que o princípio de interação fé e vida seja assumido na atividade catequética de modo que o conteúdo responda aos desafios do mundo atual;
**suscitar nos catequistas e catequizandos o sentido do valor da celebração litúrgica, da dimensão orante na catequese e o amor pela comunidade;
**assumir o processo catecumenal como modelo de toda a catequese e, conseqüentemente, intensificar o **uso do Ritual de Iniciação Cristã de Adultos;
**passar de uma catequese só orientada para os sacramentos, para uma catequese que introduza ao mistério de Cristo e à vida eclesial;
**fazer com que a catequese se realize num contexto comunitário, seja um processo de inserção na comunidade eclesial e que essa seja catequizadora;
**tornar efetiva a prioridade da catequese com adultos como resposta às novas exigências da evangelização e como pedem Catequese Renovada 130 e a Segunda Semana Brasileira de Catequese;
**motivar e estimular os catequistas e catequizandos para o compromisso missionário e social da fé, assumido no Sacramento da Confirmação;

Diácono Roberto Bocalete

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

ORDENAÇÃO DIACONAL - 04 DE AGOSTO DE 2013


Partilho com meus amigos e amigas, catequistas e seguidores do blog, algumas fotos de minha Ordenação diaconal: momento profundo, lindo e muito importante em minha vida! Agradeço o carinho e a amizade manifestados a mim; agradeço as lembranças e felicitações; agradeço a presença de cada um em minha vida! Gratidão e alegria!








As bençãos de Deus para todos! Diácono Roberto Bocalete

domingo, 30 de junho de 2013

CATEQUESE RENOVADA
(Comemoração dos 30 anos, em 2013)
Documento da CNBB, 26, aprovado na 21ª Assembleia Geral, em 1983.

Este documento é resposta aos apelos do Papa João Paulo II em sua vinda ao Brasil em 1980.
Ele disse: “A catequese é uma urgência. Só posso admirar os pastores zelosos que em suas igrejas procuram responder concretamente a essa urgência, fazendo da catequese uma prioridade” (Fortaleza, 10/07/1980).
É importante fazer da catequese uma prioridade nas comunidades.

I PARTE: A catequese e a comunidade na História da Igreja

As mudanças na história podem ajudar a revitalizar a catequese hoje.
Do séc. I ao V, a catequese era de iniciação à fé e vida de comunidade.
Surge o catecumenato como iniciação na vida cristã.
Os fundamentos eram: fé, esperança, caridade, Palavra, celebrações e testemunho.
É importante entender que comunidade e catequese caminhavam juntas.
Do séc. V ao XVI o rumo da catequese foi outro: a cristandade.
A catequese era de imersão na cristandade e educação da fé feita pelas instituições.
A aprendizagem era individual, com pouca ligação com a comunidade.
Catequese mais como instrução para dar clareza à fé em tempo de reforma.
Catequese centrada nos catecismos com textos para ensino.
Houve grande influência do iluminismo e uma fé mais da razão.
No séc. XX foi-se redescobrindo na catequese a iniciação cristã e a comunidade.
Surge uma catequese mais comprometida com a libertação.
Houve esforço de renovação no conteúdo, método, sujeito e objeto da catequese.
Mons. Álvaro Negromonte usou o método integral, de formar cristãos íntegros.
Surgiram também Institutos para a formação de dirigentes da catequese.
Passou a unir fé e vida, dimensão pessoal e comunitária, instrução e educação etc.

II PARTE: Princípios para uma catequese renovada
Renovação da catequese para responder os novos desafios da cultura.
Para isto, a catequese precisou ter sólido fundamento na Palavra de Deus.
Ela é “fazer ecoar” (Kat-ekhéo), fazer escutar e repercutir a Palavra de Deus.

1. Revelação e Catequese
Deus quis revelar-se a si mesmo, tratando-nos de amigos.
A revelação acontece na Palavra, nos gestos e fatos como linguagem.
Podemos dizer que Deus usa duas linguagens: Palavra e acontecimentos.
Entendamos: O que Deus quer comunicar, a quem e que obstáculos encontra.
Está claro que Ele quer comunicar a si mesmo, sua presença e amor.
A dificuldade está na recusa da comunicação de Deus e de seu amor.
Com a revelação Ele deixa de ser “Deus escondido” e mostra o seu rosto.
A revelação de Deus é um processo e não um simples ato.
A lentidão de Deus em se revelar depende de nós, lentos para entender.
É um processo em que Deus vai educando seu povo com pedagogia.
A revelação foi transmitida de forma oral e depois, por escrito, pela bíblia.
A bíblia conta fatos e neles entendemos a revelação de Deus.
No caso do fato da Aliança, interpretamos toda a História da Salvação.
O fato maior e definitivo vem de Jesus Cristo, que revela o amor de Deus.
Em Jesus Deus se dá a si mesmo e sua Palavra se torna carne.
Jesus é a plenitude da revelação e não há necessidade de novas revelações.
Pelas palavras de Jesus, a ajuda do Espírito Santo e da Igreja, Deus se torna acessível.
Jesus se torna pedagogia de Deus no anúncio da fé e na vivência de seus apelos.
Todo o mistério do Pai foi revelado em Jesus Cristo para a intimidade com Ele.
O Espírito Santo faz ressoar na Igreja e no mundo a voz do Evangelho.
Voz que conserva na Igreja a Tradição, a Escritura e o Magistério.
Aí estão a Palavra, os sacramentos, a oração, a liturgia e as manifestações de fé.
Tradição por ser fiel à origem e progride na compreensão da doutrina, na caridade etc.
Também porque faz crescer a fé do povo de Deus com fidelidade ao Evangelho.
Tradição e Escritura são como um todo, que procedem de Deus para o bem da fé.
Fé que é opção de vida, uma adesão de toda a pessoa a Cristo, a Deus e a seu projeto.
Ela faz o cristão ser missionário, passando a pregar o Evangelho com coragem.
Deus que se revela é o próprio Deus criador, aquele que inquieta nosso coração.
Unidade entre projeto salvífico de Deus e as aspirações humanas, salvação e história.
Deus continua falando aos homens em Cristo, pelo Espírito, nas mediações.
A catequese pode ser entendida como “educação ordenada e progressiva da fé”.
Ela deve assumir as angústias e esperanças do homem de hoje para libertá-lo.
Assumir as situações históricas e as autênticas aspirações dos homens de hoje.

2. Exigências da Catequese
A primeira exigência da catequese é a fidelidade ao Plano de Deus.
Por isto, deve levar a força do Evangelho ao coração da cultura e das culturas.

2.1. Fidelidade a Deus e ao homem
Esta fidelidade deve ser a Deus e ao homem como atitude de amor.
Para Puebla, a fidelidade deve ser a Deus, à Igreja e ao Homem.
O conteúdo da catequese deve ter integridade e autenticidade evangélica.

2.2. Fidelidade às fontes
 Sua fonte está na Revelação, de onde vem a sede de verdade e vida.
A Revelação chega até nós pela Sagrada Escritura e pela Tradição viva da Igreja.
Por isto deve ser dada especial atenção à Sagrada Escritura como fonte da catequese.
Importa respeitar a natureza e o espírito da Revelação bíblica na integridade.
A catequese deve ler os textos bíblicos com a inteligência e o coração da Igreja.
Abrir aos catequizandos o livro da Sagrada Escritura, tendo por centro o Evangelho.
Isto leva ao contato com a Palavra de Deus e à compreensão dela.
Essa Palavra tem sua ação santificadora de Deus na liturgia.
A Palavra vivenciada na liturgia pode ser entendida como catequese em ato.
Acompanhar a Palavra nos tempos litúrgicos é ocasião privilegiada de catequese.
Expressão privilegiada da fé da Igreja acontece no Credo, Símbolo dos Apóstolos.
O Credo resume o conteúdo da fé da Igreja e é fonte segura da catequese.
Ele deve ser memorizado e aprofundado nos encontros catequéticos.
 A catequese presta atenção também aos sinais dos tempos, ao sensus fidei.

2.3. Critérios de unidade, organicidade, integridade e adaptação
Empenha também na busca de uma sociedade mais solidária, fraterna e justa.
Não basta a autenticidade da catequese, mas tem que ser unitária, orgânica e integral.
A unidade se faz ao redor da Pessoa de Jesus Cristo, o cristocentrismo.
Cristocentrismo não só de ser centro, mas de adesão à sua Pessoa e Missão.
A integridade do conteúdo significa ação ampla e explícita.
Os cristãos têm direito de receber a Palavra da fé sem mutilação.
A falta de integridade do anúncio da Palavra esvazia a própria catequese.
Além disto, levar em conta as condições históricas e culturais a catequizar.
Também a linguagem deve ser adequada aos homens e tempos de hoje.

2.4. Dimensões da catequese
Uma catequese com as dimensões cristológica, eclesiológica e escatológica.
No eclesiológico temos o comunitário, vocacional, missionário, ecumênico.
Vê o homem nas dimensões antropológica, existencial, histórico, política, libertador.
Há uma dimensão permanente da catequese que atinge todas as etapas da formação.

2.5. Em métodos diversos o mesmo princípio da interação
É preciso investir na metodologia catequética, evitando improvisações e empirismo.
Uma catequese de interação, unindo experiência de vida e formulação da fé.
Tendo em conta a vivência e prática atual e o dado a Tradição.
Deve existir uma interação entre o Evangelho e a vida concreta.
É uma interpelação recíproca, que precisa ser vivenciada na catequese.
Tudo deve criar uma unidade profunda dentro do Plano de Deus.
Só uma integração da fé e da vida poderá levar a uma verdadeira libertação.
Não podemos cair no formalismo, desequilíbrio entre vivência e doutrina.
A autêntica catequese é sempre inicial, ordenada e sistemática da revelação de Deus.

2.6. Lugares da catequese
Isto acontece na comunidade cristã: família, paróquia, escola, CEBs, associações.
Em ambos devem aparecer a caridade e a comunhão como lugares de vida.
A catequese é processo permanente: crescendo o homem, deve crescer o cristão.
O papel da família, dos pais, é fundamental nos critérios da fé dos filhos.
É importante o ensino religioso nas escolas despertando experiência religiosa.
São diferentes ensino religioso e catequese no relacionamento cultura e fé.
Os grupos, movimentos e outras associações sejam maduros na fé.
Os recursos dos MCS devem ser utilizados no serviço da catequese.
O uso dos MCS deve levar à formação de uma consciência crítica.

2.7. Catequese segundo idades e situações
A educação da fé deve ser permanente, organizada e adaptada à realidade.
A catequese de adultos deve ser incisiva e coerente em sua proposta.
Uma catequese que deve seguir o ano litúrgico e acontecimentos da vida.
Na catequese de formação das crianças, a família tem um papel fundamental.
A formação litúrgica é fundamental na vida das crianças, adolescentes e jovens.
A formação de crianças e jovens deve levá-los a viver e atuar na vida da comunidade.
Uma catequese que desperte para a dimensão vocacional como chamado de Deus.
Despertar o gosto pela oração, pelo silêncio, o senso crítico, a solidariedade.
A criatividade, a liberdade, a responsabilidade, a dar razão de sua fé e os valores.
A doutrina seja anunciada na medida da prática cristã da vida na comunidade.
O mais importante não é a doutrina, mas o envolvimento comunitário.
Os deficientes físicos e mentais sejam totalmente integrados na comunidade cristã.
A comunidade deve prestar atenção e procurar meios adequados para esses casos.

2.8. Missão e formação do catequista
O catequista deve apresentar os meios para ser cristão e a alegria de se viver o Ev.
Ele comunica através do testemunho de vida, da palavra e do culto.
Provoca inserção na vida da comunidade de forma livre e responsável.
Para tudo isto são importantes as Escolas Catequéticas para formação.
Escolas que levem o catequista ao processo de transformação do mundo.
O catequista tem sua missão no grupo de catequistas para ajudar na formação.

2.9. Textos e Manuais de Catequese
Os manuais de catequese devem ser iluminadores da comunidade.
As primeiras fontes da catequese foram os fatos e as palavras de Jesus.
É importante entender que o uso de manuais não deve substituir a bíblia.
Devem apresentar textos bíblicos selecionados com instruções sobre o uso.
Tenham clareza doutrinária para ajudar na educação da fé.
Os “planos de aula” tenham diferentes objetivos e métodos relativos à fé.
Um único manual para todo o Brasil seria inviável e inadequado.

III PARTE: Temas fundamentais para uma catequese renovada

O temário fundamental da catequese é a bíblia, ligando fé e vida.
Os temas apresentados têm sua fonte principal no Doc. de Puebla.
Um deles é a situação do homem dentro da realidade do mundo de hoje.
Outro é o desígnio da salvação de Deus na História narrada pela bíblia.
A salvação tem início na criação pelo que Deus nos faz em Cristo para a vida.
Isto supõe a verdade sobre Cristo, a Igreja e o Homem, comunhão e participação.

3.1. A situação do homem
No processo da salvação, o homem se torna parceiro de Deus.
Mas rejeita o amor de Deus, rompe a unidade e deixa penetrar no mundo o mal.
Surge o egoísmo, orgulho, ambição, inveja, injustiça, dominação, violência etc.

3.2. Os desígnios de salvação de Deus
3.2.1. A verdade sobre Jesus Cristo
Diante de tudo isto, a bíblia nos apresenta a promessa do Salvador e revela Cristo.
Isto Deus realiza numa longa história com sua mão poderosa de Pai.
O centro de toda a história é Jesus Cristo, vindo para restaurar toda ordem temporal.
O Verbo, gerado desde sempre, fez-se homem e habita entre nós e nos une ao Pai.
A encarnação é o mistério da humanidade e da divindade de Jesus Cristo.
Compartilhando a vida do povo, Jesus anuncia o Reino de Deus com ações e palavras.
O Reino não é utopia, mas libertação concreta, e chega à plenitude na glória celeste.
Em suas atitudes, Jesus revela o amor de Deus e seu caminho é também nosso.
Jesus exige de nós um seguimento radical, fazendo-nos parecidos com Ele.
O sacrifício de Jesus, o caminho do seu ministério, tornou-se causa de nossa vida.
Como ressuscitado, fez nascer o Homem novo, e continua em nosso meio.
Pelo Espírito Santo, Jesus continua sua presença salvadora no mundo, na Igreja.
O Espírito Santo nos reúne em comunidade e nos faz viver no Plano de Deus.
Cria unidade na diversidade de dons, dando impulso missionário para a Igreja.
Deus que se revela em Jesus Cristo e no Espírito Santo é Deus de comunhão, trino.

3.2.2. A verdade sobre a Igreja
Jesus fez nascer a Igreja como de instituição divina, depositária e transmissora do Ev.
O objetivo de Jesus é o Reino, tendo a Igreja como fonte e germe de seu crescimento.
A Igreja é o Povo de Deus indo para o Senhor, não como massa, mas como fermento.
A razão primeira da Igreja é a salvação, que acontece no desempenho de sua missão.
Ela é divina, mas no mundo; apostólica e atual; católica e local; uma e múltipla etc.
A Igreja é sacramento de comunhão, que vem da água, da Palavra, do ES e da adesão.
O pecado dificulta a comunhão, exigindo constante caminho de conversão.
As divisões contradizem a vontade de Cristo e é escândalo para o mundo.
Deus se comunica através de sinais e a Igreja é sinal sacramental de sua ação.
São sete os sacramentos na Igreja como sinais sensíveis e eficazes da graça de Deus.
Batismo: nascimento, entrada na vida divina e na Igreja como cristão.
Eucaristia: alimento da vida cristã e participação no mistério da morte de Cristo.
Confirmação ou Crisma: testemunha de fé no Cristo Ressuscitado e ação do ES.
Reconciliação ou Penitência: celebração do perdão após o pecado.
Unção dos Enfermos: presença da graça no sofrimento, doença, morte.
Ordem: serviço cristão especial, administração dos sacramentos.
Matrimônio: amor conjugal, estabelecimento da família cristã.
Os Sacramentos santificam o homem, glorificam a Deus e alimentam a fé.
Todos eles são o memorial da morte e ressurreição de Cristo, da Páscoa.
A liturgia é o ápice e a fonte da vida eclesial acontecida nos Sacramentos.
Dentro da liturgia temos o Ano Litúrgico como celebração do mistério de Cristo.
A Eucaristia é a prática da justiça na vida da comunidade.
Ela significa e realiza a unidade da Igreja e seu crescimento.
É importante o destaque de Maria e sem ela não tem como falar de Igreja.
A Igreja a venera como Mãe muito amada, com afeto e piedade filial.
Ela é Mãe da Igreja, porque é Mãe de Cristo e nossa Mãe em Jesus Cristo.
Na Evangelização, Maria é Mãe e educadora da fé em nossa cultura.
Maria acreditou com uma fé que foi dom, abertura, resposta e fidelidade.
É para nós exemplo de virtude e caminho de santidade da Igreja.

3.2.3. A verdade sobre o homem
O homem se afastou de Deus pelo pecado, mas foi redimido em Cristo.
Com isto, a Salvação é dom de Deus, que exige resposta do homem.
Deus nos criou sem nossa participação e não nos salva sem nossa cooperação.
No mistério da salvação, todas as pessoas precisam cooperar e colaborar.
O uso do dom da liberdade dignifica nossa condição humana.
O pecado tirou-nos a liberdade, recuperada no perdão e no amor de Deus.
Somos responsáveis pelo nosso destino, por uma lei colocada em nosso coração.
Seguindo fielmente a Lei de Deus, somos dignificados como pessoas.
Pecar é agir contra a consciência e contra Deus, causando dano a si mesmo.
As situações sociais de pecado corroem a dignidade do homem.
Pelo Mistério Pascal, Cristo nos reconciliou com o Pai e continua nos perdoando.
Pela Unção dos Enfermos somos aliviados no sofrimento e fortalecidos na doença.
Mesmo passando pelas fraquezas do pecado, somos destinados para a vida eterna.

3.3. Os compromissos do cristão
A fé é adesão e obediência à vontade de Deus que nos interpela para a missão.
A nossa resposta à fé é dom de Deus sob a moção do Espírito Santo.
Fé não é ideologia, mas adesão à pessoa de Jesus Cristo e à sua mensagem.
Não é adesão a princípios morais, mas a atitudes no plano de salvação.
Fé animada pela caridade e presente no compromisso social.
Isto exige maturidade confirmada na Crisma e na presença do Espírito Santo.
A fé só cresce quando participamos da vida da comunidade eclesial.
Ela tem expressão viva e motivadora nas celebrações litúrgicas.
Assim a pessoa de fé se torna construtora da história da comunidade.
História conforme a práxis de Jesus, de corresponsabilidade na ação.
Essas lutas de transformação devem ser celebradas na Eucaristia.
No contexto eclesial, a Igreja precisa sempre se auto evangelizar e converter-se.
Na Igreja cada um é chamado a um serviço (vocação) dentro da comunidade.
No Sacramento da Ordem temos os bispos, os presbíteros e os diáconos.
Temos na Igreja os religiosos, que testemunham uma vivência evangélica radical.
Vivemos a fé, em primeiro lugar, na família, “Igreja doméstica”.
A lei do amor conjugal deve ser comunhão e participação, e não dominação.
A graça do matrimônio ajuda a superar conflitos, dificuldades e tentações.
O trabalho é útil e dignifica o homem dentro da ordem: “Dominai a terra”.
O homem é o sujeito, o autor e o fim do trabalho, transformado em gesto litúrgico.
O amor fraterno exige formar estruturas sociais e política global.
A fé deve ordenar todas as atividades sociais e políticas.
Toda a Igreja deve ter responsabilidade por uma política do bem comum.
O cristão não pode ser omisso diante das injustiças, mas exercer sua função política.
É importante estar num partido político, sabendo que ele não é o todo; pluralismo.
A opção pelos pobres é sinal de autenticidade evangélica e sinal messiânico.
Os pobres merecem dos cristãos uma atenção toda especial em sua condição.
Eles têm um potencial evangelizador, pois nos interpelam à conversão.
Sendo solidário com os pobres, devemos superar o “ter mais”, e “ser mais”.
A raiz da pobreza é social, fruto de injustiça e desrespeito aos direitos humanos.
Trabalhamos por uma sociedade mais solidária e fraterna, mais justa.
Na busca da paz, devemos construir uma nova ordem social.
Vivemos um crescente pluralismo religioso e ideológico e depende de diálogo.
O diálogo entre os que têm a mesma fé em Cristo une esforços de ação.
Devemos seguir o exemplo e a coragem dos Santos na construção do Reino de Deus.
A verdadeira comunhão só vai acontecer no encontro definitivo com o Pai.

IV PARTE: A comunidade catequizadora

A catequese é processo dinâmico na educação da fé e itinerário formativo.
O estilo catecumenal tem que estar unido a uma vivência comunitária litúrgica.
São etapas prolongadas de iniciação à vida cristã seguindo passos pedagógicos.
Inclui: conversão, fé em Cristo, vida em comunidade, sacramental e compromisso.
Não basta planejar se não há integração da comunidade com o Evangelho.
A caminhada na educação da fé deve durar a vida toda, sem limite de tempo e lugar.
É preciso formar comunidades catequizadoras na construção do Reino de Deus.

4.1. Exemplo de itinerário catequético de uma comunidade
Elementos: união entre os membros; abordagem da realidade; vida eclesial; fé.
Esses elementos crescem quando a comunidade caminha em sua própria história.
A oração em comum e a leitura da Palavra de Deus formam comunidades unidas.
Forma-se uma devoção popular a Nossa Senhora e aos Santos como forças de união.
A força de unidade da comunidade é concretizada com a leitura da Palavra de Deus.
A reflexão da Palavra de Deus faz com que a figura de Cristo tenha mais peso.
Com isto cresce a colaboração e a solidariedade entre os membros da comunidade.
Os problemas pessoais e comunitários começam a ser assumidos coletivamente.
Surge o passo da formação social e descoberta das raízes do mal que atinge a todos.
Aparecem gestos públicos: defesa dos direitos humanos, denúncias, mutirões etc.
A fé caminha na busca de cursinhos bíblicos e maior formação de consciência.
As celebrações passam a ser mais comprometidas, unindo fé e vida comunitária.
Outro passo desafiante é assumir tarefas sindicais, políticas e empresariais.
É importante a descoberta da presença do cristão no mundo temporal e transformá-lo.
As comunidades cristãs devem ser portadoras de critérios baseados no Evangelho.
Aparece a importância da articulação dos movimentos sociais: associações, sindicatos.
É o momento realmente catequético, da decisão de fé explícita e madura.
É a consciência de que “sem Jesus nada o homem pode fazer”; “nele tudo pode”.
Momento em que Jesus é visto como Filho de Deus, Senhor e Salvador.
É preciso reconhecer o pecado como raiz dos males na sociedade e exige conversão.
A conversão leva a uma nova maneira de ser e ver como povo de Deus.
Tudo supõe uma adesão total a Jesus Cristo fazendo-nos salvadores com Ele.
O Evangelho e sua realização constituem para os cristãos sua razão de viver.
A catequese acontece por passos até chegar a “novos céus e nova terra”.

4.2. Que fazer quando ainda não existe comunidade?
O processo catequético acontece na interação entre comunidade e Evangelho.
Muitas pessoas são desligadas da comunidade eclesial, mesmo sendo batizadas.
Com elas é preciso pregação e contatos de interesse em diversos campos.
Aproveitar as ocasiões especiais que atraiam a todos na comunidade.
De fato, a comunidade é condição indispensável para o processo catequético.

Conclusão
Vimos os rumos, princípios, exigências, temas e perspectivas da catequese.
A afirmação é de que a catequese é um processo de educação comunitária.
Ela é permanente, progressiva, ordenada, orgânica e sistemática da fé.
A finalidade da catequese é a maturidade da fé, já na terra e termina na eternidade.
Para isto devemos invocar o Espírito Santo, primeiro agente da Evangelização.
Invocamos N. S. Aparecida, grande catequista, a sustentar a fé e a esperança do povo.

Fonte: Documento da CNBB, 26
Síntese feita por Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

sexta-feira, 14 de junho de 2013



ORDENAÇÃO DIACONAL DE ROBERTO BOCALETE
04 DE AGOSTO, 10h - CATEDRAL - SÃO JOSÉ DO RIO PRETO


terça-feira, 4 de junho de 2013

“A PESSOA DE JESUS E A CATEQUESE”

Jesus é a plenitude da revelação e o centro de todo mistério cristão, por isso, é o centro da catequese, que deve concentrar sua atenção na pessoa de Jesus Cristo (cristocentrismo). Deve favorecer a experiência pessoal com Jesus Cristo, propondo a fé por meio do querigma, possibilitando ao interlocutor o encontro pessoal com Jesus, entrando em intimidade com o Amado, aprofundando os conteúdos (transmissão da fé) para o processo de conversão (CT 20, DGC 80-81).

A Catequese deve apresentar a pessoa de Jesus, sua mensagem como boa-notícia, o projeto do Reino de Deus. A Catequese sobre Jesus deve levar os interlocutores desde o “Quem é este?” (Mc 4,41), pergunta que se faz aos seguidores de Jesus, até a profissão de fé, assumindo Jesus como “Senhor e salvador”. A admiração por Jesus é o movimento que abarca a pessoa e repercute em todos os campos da vida, não é somente contato, mas comunhão, intimidade com Jesus Cristo.

A catequese precisa apresentar Jesus, não com valores abstratos ou como um exigente mestre na moral, mas como Cristo vivo e ressuscitado, que caminha ao nosso lado, nos acompanhando como consumador da fé. Devemos nos preocupar em apresentar “quem é Jesus” e não “o que é Jesus”, anunciando Aquele que vive e deseja nos encontrar, estabelecer uma amizade, uma relação pessoal. É necessário que os interlocutores encontrem Jesus, não como projeção imaginária dos desejos ou ilusões, mas como verdadeiro Deus.

A catequese, com relação à pessoa de Jesus, deve assumir como tarefa própria:
1. Favorecer encontro pessoal com Jesus Cristo;
2. Favorecer o aprofundamento/conhecimento amoroso de Jesus para uma adesão de fé a Cristo;
3. Aprofundar a experiência com o Evangelho, de forma saborosa e elaborada;
4. Educar para celebração dos mistérios de Jesus por meio da liturgia;
5. Envolver o catequizando a partir do projeto de salvação;
6. Iniciar na oração e na mística cristã, tendo o Pai nosso como referência de oração;
7. Iniciar no seguimento de Cristo e na caminhada de comunidade;
8. Viver a partir do projeto de Jesus Cristo;
9. Assumir a vocação de povo de Deus (filhos amados)
10. Enviar em missão para “expulsar os demônios” da cultura moderna

JESUS E O PROCESSO FORMATIVO DOS DISCÍPULOS
(baseado no texto de Carlos Mesters e Orofino da 3ª Semana Brasileira de Catequese)

Não é pelo fato de uma pessoa andar com Jesus e de conviver com ele que ela já seja santa e renovada. O “fermento de Herodes e dos fariseus” (Mc 8,15), a ideologia dominante da época, tinha raízes profundas na vida daquele povo. A conversão que Jesus pedia e a formação que ele dava procuravam atingir e erradicar de dentro deles esse “fermento” da ideologia dominante. Também hoje, a ideologia do sistema neoliberal renasce sempre de novo na vida das comunidades e dos discípulos e discípulas. O "fermento do consumismo" tem raízes profundas na vida, tanto dos formandos como dos formadores, e exige uma vigilância constante. Jesus ajudava os discípulos a viverem num processo permanente de formação, assim como nós catequistas temos esse compromisso de estarmos em formação e formar nossos interlocutores.

Vamos ver alguns casos desta vigilância com que Jesus os acompanhava e os ajudava a tomarem consciência do “fermento de Herodes e dos fariseus”. É a ajuda fraterna com que ele, atento ao processo de formação dos discípulos, intervinha para ajudá-los a dar um passo e criar nova consciência:

**Mentalidade do grupo que se considera superior aos outros: certa vez, os samaritanos não queriam dar hospedagem a Jesus. A reação de alguns discípulos foi violenta: “Que um fogo do céu acabe com esse povo!” (Lc 9,54). Achavam que, pelo fato de estarem com Jesus, todos deviam acolhê-los. Pensavam ter Deus do seu lado para defendê-los. Era a mentalidade antiga de “Povo eleito, Povo privilegiado!”. Jesus os repreende: "Vocês não sabem de que espírito estão sendo animados" (Lc 9,55).

**Mentalidade de competição e de prestígio: os discípulos brigavam entre si pelo primeiro lugar (Mc 9,33-34). Era a mentalidade de classe e de competição, que caracterizava a sociedade do Império Romano. Ela já se infiltrava na pequena comunidade que estava apenas nascendo ao redor de Jesus. Jesus reage e manda ter a mentalidade contrária : "O primeiro seja o último" (Mc 9,35). É o ponto em que ele mais insistiu e em que mais deu o próprio testemunho: “Não vim para ser servido, mas para servir” (Mc 10,45;Jo 13,1-16).

**Mentalidade de quem marginaliza o pequeno: Mães com crianças querem chegar perto de Jesus. Os discípulos as afastam. Era a mentalidade da cultura da época na qual criança não contava e devia ser disciplinada pelos adultos. Era ainda o medo de que as mães e as crianças, tocando em Jesus com mãos impuras, causassem alguma impureza em Jesus. Mas Jesus os repreende: ”Deixem vir a mim as crianças!” (Mc 10,14). Ele os acolhe, abraça e abençoa. Coloca a criança como professora de adulto: “Quem não receber o Reino como uma criança, não pode entrar nele” (Lc 18,17). Transgride aquelas normas da pureza legal que impedem o acolhimento e a ternura.

**Mentalidade de quem segue a opinião da ideologia dominante: certo dia, vendo um cego, os discípulos perguntaram a Jesus: "Quem pecou, ele ou seus pais, para que nascesse cego?" (Jo 9,2). Como hoje, o poder da opinião pública era muito forte. Fazia todo mundo pensar do mesmo jeito de acordo com a ideologia dominante. Enquanto se pensa assim não é possível perceber todo o alcance da Boa Nova do Reino. Jesus os ajuda a ter uma visão mais crítica: “Nem ele, nem os pais dele, mas para que nele se manifestem as obras de Deus” (cf Jo 9,3). A resposta de Jesus supõe uma consciência nova e uma leitura diferente da realidade.

Estes e muitos outros episódios mostram como Jesus estava atento ao processo de conversão e de formação em que se encontravam seus discípulos. Isto revela duas características em Jesus: 1) Possuía uma visão crítica, tanto da sociedade em que ele vivia, como da ideologia ou “fermento” que os grandes comunicavam aos súditos; 2) Tinha uma percepção clara de como este “fermento”, disfarçadamente, se infiltrava na vida das pessoas.

Jesus forma os discípulos, corrigindo-os e envolvendo-os na missão
Desde o primeiro momento do chamado, Jesus envolve os discípulos na missão que ele mesmo estava realizando em obediência ao Pai. A participação efetiva no anúncio do Reino faz parte do processo formador, pois a missão é a razão de ser da vida comunitária ao redor de Jesus. (Lc 9,1-2;10,1). Como catequistas, anunciar a centralidade da pessoa de Jesus requer educar para a fé, corrigir na justiça, orientar as atitudes. Eis alguns aspectos da atitude formadora de Jesus para ser refletido e assumido na formação do catequista para que saiba formar os interlocutores:
* corrige-os quando erram e querem ser os primeiros (Mc 9,33-35; 10,14-15)
* sabe aguardar o momento oportuno para corrigir (Lc 9,46-48; Mc 10,14-15).
* ajuda-os a discernir o que fazer e como fazer (Mc 9,28-29),
* interpela-os quando são lentos (Mc 4,13; 8,14-21),
* prepara-os para o conflito e a perseguição (Jo 16,33; Mt 10,17-25),
* ensina que as necessidades do povo estão acima das prescrições rituais ou leis (Mt 12,7.12),
* tem momentos a sós com eles para poder instruí-los (Mc 4,34; 7,17; 9,30-31; 10,10; 13,3),
* sabe escutar, mesmo quando o diálogo é difícil (Jo 4,7-30).
* ajuda as pessoas a se aceitarem a si mesmas (Lc 22,32).
* é severo com a hipocrisia (Lc 11,37-53).
* faz mais perguntas do que respostas (Mc 8,17-21).
* é firme e não se deixa desviar do caminho (Mc 8,33; Lc 9,54).
* desperta liberdade e libertação: "O ser humano não foi feito para o sábado, mas o sábado para o ser humano!" (Mc 2,27; 2,18.23)
* depois de tê-los enviado em missão, na volta faz revisão com eles (Lc 9,1-2;10,1;10,17-20)

Alguns conteúdos e recursos didáticos de Jesus
O sistema educativo da época era bem diferente de hoje. Jesus não era professor. Seus formandos não eram alunos, mas sim discípulos e discípulas. Mesmo assim, apesar de ser diferente de hoje, vamos arriscar uma resposta para a seguinte pergunta: Quais eram os conteúdos e recursos didáticos em que Jesus mais insistia e a que dava mais atenção no processo de formação dos discípulos?

* O testemunho de vida: o recurso básico que Jesus utiliza na formação dos discípulos é o testemunho de sua vida: "Segue-me" (Lc 5,27). “Venham e vejam” (Jo 1,39). "Eu sou o caminho, a verdade e a vida" (Jo 14,16). O discípulo tem na vida do Mestre uma norma (Mt 10,24-25). Neste seu testemunho de vida Jesus reflete para os discípulos os traços do rosto de Deus: "Quem me vê, vê o Pai" (Jo 14,9). A raiz da Boa Nova é Deus, o Pai. A raiz da transparência de Jesus é a sua fidelidade ao Pai e a sua coerência com a Boa Nova que anuncia e irradia.

* A vida e a natureza: Jesus descobre a vontade do Pai nos fenômenos mais comuns da natureza e a transmite aos discípulos e discípulas: na chuva que cai sobre bons e maus ele descobre a misericórdia do Pai que acolhe a todos (Mt 5,45); nos pássaros do céu e nos lírios do campo ele descobre os sinais da Divina Providência (Mt 6,26-30). A sua maneira de ensinar em parábolas provoca os discípulos a refletirem sobre as coisas mais comuns do dia a dia da sua vida (Mt 13,1-52; Mc 4,1-34). As parábolas de Jesus são um retrato da vida do povo e da realidade confusa e conflituosa da época.

* As grandes questões do momento e as perguntas do povo: o crime de Pilatos contra alguns romeiros da Galiléia, a queda da torre de Siloé em construção que matou 18 operários (Lc 13,1-4), a discussão dos discípulos em torno de quem deles era o maior (Mc 9,33-36), a fome do povo (Lc 9,13), o ensinamento dos escribas (Mc 12,35-37) e tantos outros problemas, fatos e perguntas do povo funcionavam como gancho para Jesus levar os discípulos a refletir, a cair em si e a descobrir algum ensinamento ou apelo de Deus.

* O jeito de ensinar em qualquer lugar: em qualquer lugar onde encontrava gente para escutá-lo, Jesus transmitia a Boa Nova de Deus: nas sinagogas durante a celebração da Palavra nos sábados (Mc 1, 21; 3,1; 6,2); em reuniões informais nas casas de amigos (Mc 2,1.15; 7,17; 9,28; 10,10); andando pelo caminho com os discípulos (Mc 2,23); ao longo do mar na praia, sentado num barco (Mc 4,1); no deserto para onde se refugiou e onde o povo o procurava (Mc 1,45; 6,32-34); na montanha, de onde proclamou as bem-aventuranças (Mt 5,1); nas praças das aldeias e cidades, onde povo carregava seus doentes (Mc 6,55-56); no Templo de Jerusalém, por ocasião das romarias, diariamente, sem medo (Mc 14,49).

* Momentos a sós com os discípulos: várias vezes, Jesus convida os discípulos para ir com ele a um lugar distante, seja para instruir (Mc 4,34; 7,17; 9,30-31; 10,10; 13,3), seja para descansar (Mc 6,31). Ele chegou a fazer uma longa viagem ao exterior na terra de Tiro e Sidônia para poder estar a sós com eles e instruí-los a respeito da Cruz (Mc 8,22-10,52).

* A Bíblia e a história do povo: nem sempre é possível discernir se o uso que os evangelhos fazem do AT vem do próprio Jesus ou se é uma explicitação dos primeiros cristãos que, assim, expressavam o alcance da sua fé em Jesus. Seja como for, é inegável o uso constante e frequente que Jesus fazia da Bíblia. Ele conhecia a Bíblia de cor e salteado. Jesus se orientava pela Sagrada Escritura para realizar sua missão e ele a usava para instruir os discípulos e o povo.

* A Cruz e o sofrimento: quando ficou claro para Jesus que as autoridades religiosas não iam aceitar a sua mensagem e que decidiram matá-lo, ele começou a falar da cruz que o esperava em Jerusalém (Lc 9,31). Isto provocou reações fortes nos discípulos (Mc 8,31-33), pois na lei estava escrito que um crucificado era um “maldito de Deus” (Dt 21,22-23). Como um maldito de Deus poderia ser o Messias? Por isso, a partir deste momento crítico, o eixo da formação que Jesus dava aos discípulos consistia em ajudá-los a superar o escândalo da Cruz (Mc 8,31-34; 9,31-32; 10,33-34).

Estes são alguns dos recursos didáticos usados por Jesus na formação dos discípulos e discípulas. Alguns destes recursos eram diferentes de hoje, outros eram iguais. Assim, os catequistas que desejam iniciar seus interlocutores na vida cristã, precisam, a partir de Jesus Cristo, encontrar caminhos e possibilidades de formação que leve a todos a experiência pessoal com Jesus, a adesão à comunidade, a vida de fé e a espiritualidade.

Tendo refletido, rezado e aprofundado o conhecimento sobre a pessoa de Jesus, leiam o texto de Lucas 4,14-20 (síntese do ministério de Jesus) e respondam agora como grupo: Quem é Jesus para você? Escrevam para partilhar no momento de oração!