quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Atenção queridos(as) catequistas: recomendo um momento para reflexão e diálogo tendo como referência o texto abaixo, fragmento de uma rica reflexão de Ione Buyst na Semana de Liturgia do ano passado: Participação na liturgia - é preciso aprender!

CATEQUESE E LITURGIA
PARTICIPAÇÃO NA LITURGIA: UMA PROPOSTA DE FORMAÇÃO MISTAGÓGICA

“É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem àquela plena, consciente e ativa participação nas celebrações litúrgicas que a própria natureza da Liturgia exige e que é, por força do Batismo, um direito e um dever do povo cristão, ‘raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido’ (1 Ped. 2,9; cfr. 2, 4-5). Na reforma e incremento da sagrada Liturgia, deve dar-se a maior atenção a esta plena e ativa participação de todo o povo” (SC 14)

Algumas atitudes a serem adquiridas para participar ritual e espiritualmente de todas as ações litúrgicas:

Aprender a participar de todas as ações litúrgicas na inteireza do ser, unindo o fazer, saber e saborear numa atitude espiritual, comunitária, deixando-o conduzir pelo Espírito do Senhor.

Aprender a entrar no espaço sagrado e tomar consciência de uma Presença (mesmo que seja numa casa, ou numa roda debaixo de uma árvore).

Aprender a sentir-se parte da assembleia litúrgica local, com as janelas abertas para o mundo; aprender a relacionar a celebração litúrgica com os acontecimentos da vida local, regional, mundial, cósmica. Momentos mais sensíveis: canto e saudação inicial, recordação da vida, oração coleta, oração universal, momento da oblação (oferta) eucarística, abraço da paz, fração do pão, comunhão, benção final, envio em missão...

Aprender a assumir uma atitude de silêncio profundo para ouvir, ver, perceber, assimilar, comungar com aquilo que está sendo realizado, com a comunidade reunida e com Aquele que ser manifestar a nós.

Aprender a fazer o sinal da cruz (e todos os outros gestos litúrgicos), atenta e conscientemente, unindo gesto corporal e atitude espiritual, sabendo-nos marcados/as e penetrados/as com este sinal da fé.

Aprender a cantar orando, fazendo com que a mente acompanhe a voz, em comunhão com os demais (cantando a uma só voz e um só coração) em companhia dos anjos e dos santos, na certeza que o Cristo e o Espírito cantam em nós e querem nos transformar através do canto. [Nesse sentido, destaco a importância da música litúrgica e o cuidado com músicas que não dizem de nossa fé, inseridas em nossas celebrações].

Aprender a rezar com os salmos; estudar os salmos para poder cantá-los com consciência, saboreando, aguardando uma palavra do Espírito para iluminar nossa vida, para aprofundar nossa relação com o Pai.

Aprender a escutar as leituras bíblicas como Palavra de Deus dirigida a nós, neste momento de nossa história; relacionar a Palavra de Deus com a ação ritual que estamos realizando e com a missão na sociedade em favor do Reino de Deus. Quando se lê a Sagrada Escritura na liturgia, é Cristo mesmo que está falando (SC 7).

Aprender a interpretar a Palavra que escutamos como uma revelação, uma motivação, um chamado para a missão na realidade de nossa vida pessoal, comunitária, social.

[Aprender a ouvir com atenção a eucologia da missa: a coleta resume a finalidade da assembleia estar reunida e o sentido do mistério celebrado, o prefácio destaca o tempo e o momento celebrativo, situando-nos na profundidade do tempo da graça]

Aprender o caminho da conversão permanente, caminho pascal que é passagem, travessia da morte para a vida, do homem velho para o homem novo, colocando ordem em nossos desejos, e deixando-nos guiar pelo Espírito de Deus, Espírito de amor (compreensão, respeito, dedicação, perdão).

Aprender a participar da oração dos fieis e das preces do ofício divino, juntando-se a prece de Jesus, que intercede incessantemente por todos junto de Deus; aprender a trazer para dentro da liturgia os fatos marcantes do dia ou da semana (ver, ouvir ou ler os noticiários com o coração em prece).

Aprender a juntar-se a ação de graças proclamada pela presidência, prestando atenção e vibrando com as fibras do corpo e do coração nesse sacrifício de louvor, oferta de Jesus ao Pai.

Aprender a oferecer-se a si mesmo juntamente com a oferta de Jesus, no momento do memorial e da oblação, não somente pelas mãos do presidente da assembleia, mas juntamente com ele; inserir nesta oferta todos os trabalhos e esforços realizados a favor de um mundo melhor, a favor da ecologia, da economia solidária, de uma sociedade justa e uma igreja fraterna.

Aprender a participar do mistério celebrado pela participação na ação ritual; aprender a relacionar os ritos com a história da salvação condensada na Sagrada Escritura e reconhece-los no mistério celebrado; aprender a vivenciar a relação entre Palavra e o gesto sacramental, entre liturgia-celebração e liturgia-vida.

Aprender a sentir e assimilar por meio dos sentidos o significado profundo (o mistério) de cada ação ritual.

Aprender a viver intensamente cada tempo do ano litúrgico com seu próprio mistério, com seus textos bíblicos, cantos, símbolos e cores.

**Texto de Ione Buyst (25ª Semana de Liturgia): Formar para participar na Liturgia. Adaptação de Roberto Bocalete, por ocasião do módulo de Liturgia e Catequese (EBICAT).

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