quarta-feira, 8 de agosto de 2012

BÍBLIA E CATEQUESE
A AUTORIDADE DA BÍBLIA

O cristianismo não pode ser considerado como religião do livro, mas da Revelação.  Nossa fé não está na Bíblia (como conjunto de escritos), mas naquele a quem a Bíblia se refere: Deus. A Revelação não se deu em um só instante nem de forma escrita, mas ao longo da história, a pessoas concretas e através de acontecimentos vividos que foram compreendidos como reveladores por essas pessoas de fé, as quais interpretam como tais. A fé existiu antes que se escrevesse uma só linha; a fé brotou das manifestações de Deus neste mundo. A Bíblia não tem autoridade em si e nem por si mesma, mas em relação a Deus.
A autoridade da Bíblia não radica nos acontecimentos mesmos que ali são relatados; tampouco está nas palavras e discursos ali escritos, mas no fato de que o escrito remete a alguém que está na sua origem: Deus revelador e inspirador.
A Bíblia é um conjunto de textos que são testemunhos de vivências que foram interpretadas como reveladoras de Deus; o que encontramos na Bíblia não são os acontecimentos ou vivências mesmas (pertencentes ao passado), mas testemunhos deles, compreendidos e interpretados (por inspiração divina) como manifestações da presença de Deus orientadora na história, escritos bem posterior ao fato, elaborado por diversas reinterpretações. O que é narrado tem o peso autoritário daquele que nos remete: Deus.
Pode-se afirmar a partir daí que a Bíblia é autoridade ultima e suprema em matéria teológica? Para os fundamentalistas sim, mas para os que interpretam a Bíblia levando em consideração as orientações da Igreja, sabe que ela, como qualquer outro texto, não tem autoridade última e suprema. A Bíblia é limitada e condicionada por diversos fatores (do tempo de sua composição), nela encontram-se diversos erros científicos e históricos.
A Bíblia não é um manual de respostas aos problemas e de respostas válidas para todos os tempos. Muitos de seus textos precisam de novas respostas como também, ainda é possível ser transposto no presente, por responderem problemas sobre o sentido e o fundamento da existência humana.
Embora a autoridade da Bíblia não possa ser demonstrada objetivamente, um indício dela é o impacto e a eficácia que ela teve na vida de muitas pessoas ao longo dos séculos. A Bíblia mostra sua autoridade em sua capacidade de questionar seriamente as pessoas, de ser para elas uma instância crítica que toca as fibras de suas vidas. Critica a arrogância e o egoísmo que se expressam de múltiplas maneiras. Critica os abusos no âmbito social, político e religioso. Critica a tendência em querer manipular a Deus e, até, a fabricar deuses como escolha de escravidão. Critica a hipocrisia e a superficialidade, a autosuficiência e a soberba... em nome de Deus e com vistas ao bem estar e à felicidade das pessoas.
   Em síntese, a autoridade da Bíblia não reside nos escritos como tais, mas na autoridade de quem se revelou e continua se revelando, de quem inspirou e continua inspirando: Deus. Os escritos da Bíblia, que são um conjunto muito rico e variado de testemunhos de fé vivida, são mediações que nos remetem a Deus. A autoridade da Bíblia continua eficaz, porque mostra o caminho da relação de fé entre Deus e o homem, o caminho de nossa salvação – felicidade e realização em plenitude. Sua autoridade se manifesta em seu poder de dar forma à nossa realidade, de transformá-la e conduzi-la pelo caminho traçado por Deus.

AUTORIDADE:
Deus é fonte da Revelação e da Interpretação
A fé está na pessoa (Deus) a quem se refere e não no escrito
Por detrás da Bíblia há valores humanos (estilo, língua, linguagem, ideologias humanas, contexto, interpretações)
Autoridade da Bíblia está no fato de ser testemunho de fé fundante

** Roberto Bocalete, fonte de pesquisa "A Bíblia sem mitos" de Eduardo Arens

Nenhum comentário:

Postar um comentário